Professor Celso Cunha, bom dia! Tudo bem?
Estou escrevendo uma matéria para o Portal N&F com base na
reportagem abaixo publicada pelo jornal Valor Econômico e gostaria de
contar com a sua ajuda J
Pela matéria, o brasileiro terminou 2011 mais endividado e isso pode
comprometer o aumento de consumo em 2012.
1) Em sua
opinião, o que fez com que o brasileiro passasse a esta condição de devedor?
R.: O poder de compra dos
brasileiros vem sendo gradativamente elevado ao longo dos últimos dez anos. As
classes D e E foram elevadas para a categoria C, onde iniciam o consumo de um
patamar de produtos e serviços os quais
se incluem as academias de ginástica. Com essa elevação do poder de compra e o
baixo índice de desemprego, em torno de 5,5% da população economicamente ativa,
ocorreu o acesso ao crédito. Bancos, financeiras, administradoras de cartões de
crédito e o próprio comércio perceberam isso e dispararam no sentido de
angariar essa “sobra de caixa” nunca antes registrada. Foram 40 milhões de
pessoas que puderam realizar o sonho de substituir eletrodomésticos como
geladeiras, televisores e fogões e ainda por cima adquirir computadores,
celulares e câmeras. A mídia nos favoreceu e bombardeou os televisivos com
programas que pregam o bem estar e a atividade física orientada. Após suprir a demanda inicial é natural que o
consumo se situe em patamares de estabilidade devido à limitação da receita dos
que se excederam nesse “up grade”.
O percentual de famílias
endividadas registrou ligeira alta em março, situando-se em 57,8%, contra 57,4%
em fevereiro, mas permaneceu abaixo do índice de 64,8% observado no mesmo período
de 2011. O dado consta da Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do
Consumidor (Peic), divulgada em 21 de
março pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
A mesma pesquisa também
mostra uma alta, entre fevereiro e março, no percentual de famílias com contas
ou dívidas em atraso, mas ainda assim em um patamar inferior ao registrado em
março do ano passado. Já o percentual de famílias sem condições de pagar suas
contas recuou para 6,7%, o menor índice observado desde o início da pesquisa da
CNC, em janeiro de 2010.
Segundo a economista da
CNC Marianne Hanson: “Apesar dessa ligeira alta, as famílias ainda estão
relutantes em aumentar seu endividamento”.
2) Você
acredita que isso possa afetar as academias de alguma maneira? Por que?
R.: O percentual da
população que frequenta academias vem crescendo a passos largos. Há dez anos
era 1,4% da população. Hoje representam mais de 2%, com um crescimento real
acima de 50% em apenas uma década. Atente para o fato de que a população
brasileira saltou quase 12% nesse período chegando a 190 milhões de habitantes. Como disse anteriormente, o poder de compra
dos brasileiros foi elevado à categoria de consumidores de nossos serviços.
Como seguimos os padrões de consumo americano, que superam 14% da população
freqüentando academias, penso que temos muito que evoluir e crescer. As grandes
redes de academias estão se formando e o investimento no setor é facilmente percebido. Já existem redes de academias que praticam o
“low price”, com mensalidades a partir de R$ 49,00. É o acesso a equipamentos e
instalações de alto nível por baixo preço. Também existem os que optam pela
excelência no atendimento com ótimos profissionais e até por consumir o serviço
de personal trainer com um custo superior. São vertentes de um mesmo mercado
onde quem ganha é a saúde da população. Estamos esvaziando as filas das
clínicas e do SUS, pena que sejamos tão onerados e com uma carga de impostos
que limita nossos investimentos.
3)
Se ficar comprovada uma desaceleração no consumo, o
que o gestor de academia pode fazer para minimizar esse prejuízo já que,
teoricamente, estamos adentrando o período de baixa?
R.: Em 2011 tivemos um
crescimento do PIB de 2,7% e uma inflação de 6,5%. Perceba que a indústria
cresceu apenas 1,1% e o consumo de serviços ultrapassou 4%. Com a queda da
inflação e a baixa do consumo de produtos o endividamento tenderá a diminuir e
retornar aos padrões anteriores.
Analisando nosso
segmento em particular, penso que os gestores de academias precisam se preparar
para administrar o próprio negócio. Capacitação é o caminho do sucesso em
qualquer segmento. O mercado já oferece o curso de MBA em Gestão e Marketing de
academias, o SEBRAE prepara gestores com seu EMPRETEC. Na grande maioria dos
casos esses gestores são educadores físicos que realizaram o sonho do negócio
próprio. Graduaram-se para ministrar exercícios e não administrar empresas.
Pena que só percebam isso já na dificuldade. Nosso mercado opera na
sazonalidade, temos que aprender a lidar com isso. Diversos mercados são assim
e a própria natureza, rios, mares, fazes da lua, safras agrícolas e etc.
Você aprenderá pelo
amor ou pela dor. Temo pela segunda opção.
Boa sorte e bons
negócios.
Celso Cunha
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