domingo, 29 de abril de 2012

ENTREVISTA PORTAL N e F



Professor Celso Cunha, bom dia! Tudo bem?

Estou escrevendo uma matéria para o Portal N&F com base na reportagem abaixo publicada pelo jornal Valor Econômico e gostaria de contar com a sua ajuda J

Pela matéria, o brasileiro terminou 2011 mais endividado e isso pode comprometer o aumento de consumo em 2012.

1)    Em sua opinião, o que fez com que o brasileiro passasse a esta condição de devedor?

R.: O poder de compra dos brasileiros vem sendo gradativamente elevado ao longo dos últimos dez anos. As classes D e E foram elevadas para a categoria C, onde iniciam o consumo de um patamar  de produtos e serviços os quais se incluem as academias de ginástica. Com essa elevação do poder de compra e o baixo índice de desemprego, em torno de 5,5% da população economicamente ativa, ocorreu o acesso ao crédito. Bancos, financeiras, administradoras de cartões de crédito e o próprio comércio perceberam isso e dispararam no sentido de angariar essa “sobra de caixa” nunca antes registrada. Foram 40 milhões de pessoas que puderam realizar o sonho de substituir eletrodomésticos como geladeiras, televisores e fogões e ainda por cima adquirir computadores, celulares e câmeras. A mídia nos favoreceu e bombardeou os televisivos com programas que pregam o bem estar e a atividade física orientada.  Após suprir a demanda inicial é natural que o consumo se situe em patamares de estabilidade devido à limitação da receita dos que se excederam nesse “up grade”.
  
O percentual de famílias endividadas registrou ligeira alta em março, situando-se em 57,8%, contra 57,4% em fevereiro, mas permaneceu abaixo do índice de 64,8% observado no mesmo período de 2011. O dado consta da Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada  em 21 de março pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
A mesma pesquisa também mostra uma alta, entre fevereiro e março, no percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso, mas ainda assim em um patamar inferior ao registrado em março do ano passado. Já o percentual de famílias sem condições de pagar suas contas recuou para 6,7%, o menor índice observado desde o início da pesquisa da CNC, em janeiro de 2010.
Segundo a economista da CNC Marianne Hanson: “Apesar dessa ligeira alta, as famílias ainda estão relutantes em aumentar seu endividamento”.


2)    Você acredita que isso possa afetar as academias de alguma maneira? Por que?


R.: O percentual da população que frequenta academias vem crescendo a passos largos. Há dez anos era 1,4% da população. Hoje representam mais de 2%, com um crescimento real acima de 50% em apenas uma década. Atente para o fato de que a população brasileira saltou quase 12% nesse período chegando a 190 milhões de habitantes.  Como disse anteriormente, o poder de compra dos brasileiros foi elevado à categoria de consumidores de nossos serviços. Como seguimos os padrões de consumo americano, que superam 14% da população freqüentando academias, penso que temos muito que evoluir e crescer. As grandes redes de academias estão se formando e o investimento no setor é facilmente percebido.  Já existem redes de academias que praticam o “low price”, com mensalidades a partir de R$ 49,00. É o acesso a equipamentos e instalações de alto nível por baixo preço. Também existem os que optam pela excelência no atendimento com ótimos profissionais e até por consumir o serviço de personal trainer com um custo superior. São vertentes de um mesmo mercado onde quem ganha é a saúde da população. Estamos esvaziando as filas das clínicas e do SUS, pena que sejamos tão onerados e com uma carga de impostos que limita nossos investimentos.


3)      Se ficar comprovada uma desaceleração no consumo, o que o gestor de academia pode fazer para minimizar esse prejuízo já que, teoricamente, estamos adentrando o período de baixa?

R.: Em 2011 tivemos um crescimento do PIB de 2,7% e uma inflação de 6,5%. Perceba que a indústria cresceu apenas 1,1% e o consumo de serviços ultrapassou 4%. Com a queda da inflação e a baixa do consumo de produtos o endividamento tenderá a diminuir e retornar aos padrões anteriores.
Analisando nosso segmento em particular, penso que os gestores de academias precisam se preparar para administrar o próprio negócio. Capacitação é o caminho do sucesso em qualquer segmento. O mercado já oferece o curso de MBA em Gestão e Marketing de academias, o SEBRAE prepara gestores com seu EMPRETEC. Na grande maioria dos casos esses gestores são educadores físicos que realizaram o sonho do negócio próprio. Graduaram-se para ministrar exercícios e não administrar empresas. Pena que só percebam isso já na dificuldade. Nosso mercado opera na sazonalidade, temos que aprender a lidar com isso. Diversos mercados são assim e a própria natureza, rios, mares, fazes da lua, safras agrícolas e etc.
Você aprenderá pelo amor ou pela dor. Temo pela segunda opção.

Boa sorte e bons negócios.
Celso Cunha

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