Em
tempos de juros baixos aquele que construiu suas reservas financeiras procura
melhores investimentos para monetizar seu capital já que taxas entre 2% ou 3%
ao ano dos investimentos em renda fixa não o satisfazem, pois devido a inflação
a taxa efetiva desses investimentos tende a ser zero ou até negativa. O que fazer então? Renda variável? Risco? O indicado para quem
apresenta esse perfil seria investir uma parte de no máximo 30% das reservas
financeiras líquidas e buscar investimentos rentáveis de menor risco e maior
previsão de receita/retorno.
Por
outro lado, em tempos de crise, quando os negócios não vão bem das pernas,
empreendedores buscam financiadores para zerar suas dívidas e ao tentar crédito
junto aos bancos percebem que os juros estão baixos para quem aplica, mas, nem
tanto para quem toma um empréstimo; a essa diferença chamamos de spread; e é
responsável pelos lucros apurados pelos bancos. Além das garantias solicitadas
pelos agentes e os valores liberados quase sempre abaixo do pretendido.
Se
um pretende investir e o outro pretende tomar emprestado, que tal colocarmos os
dois em uma mesma mesa em uma conversa de negócios?
Parece
fácil, mas não é. Pois a solução pode ser o início de outro problema. Quanto
maior o risco, maior deverá ser o retorno.
Deve haver um estudo para avaliação desse risco, capacidade de
pagamento, garantias... Talvez uma sociedade... Mas, quem tem sócio tem
patrão. Que outra saída?
Qual
o empreendedor que diante das dívidas não pensou em ter um sócio? Aquela pessoa que entrará com dinheiro,
dividirá tarefas e responsabilidades repensando as questões do dia a dia e tirando-lhe
um peso das costas.
Na
maior parte dos casos a empresa não irá adiante com os dois no comando. A
divisão de tarefas e responsabilidades a princípio pode funcionar, mas logo que
um dos dois perceba que está se doando mais que o outro a insatisfação dá lugar
a omissão e o barco começa a fazer água.
Outro
fator que pesa negativamente é que se antes como sócio único com retiradas a lá vontê a equação não zerava, agora
terá que dividir por dois e prestar contas de tudo. Eita... deu ruim!
A
literatura administrativa para fusões e aquisições torna imperativo que se faça
estudos como análise de viabilidade da empresa e estudo de avaliação (valuation), onde o método mais utilizado no Brasil é o fluxo de
caixa descontado. Nesses estudos são analisados contas à pagar, créditos a
receber, movimentações bancárias, demanda real, endividamentos, máquinas e
equipamentos, capacidade instalada, percentual de débitos sobre a receita,
Ebitda (lucro antes dos empréstimos e impostos), DRE mensais dos últimos anos,
carteira de clientes, estoques, projeções futuras, débitos fiscais e
trabalhistas...
Já
deu pra perceber que não é tarefa fácil. É trabalho para profissionais.
Lembro
de um caso no qual trabalhei onde foram apresentadas dívidas totais da empresa
em torno de R$150.000,00 e no transcorrer do estudo concluímos que eram de
R$380.000,00. Que a margem de lucro não
se mostrou real e que a fábrica para funcionar de acordo com o que foi
combinado precisaria de pelo menos R$800.000,00 de investimentos; e que o
antigo sócio precisaria de retiradas mensais expressivas para suprir seus
gastos pessoais. Gastos esses que levaram a empresa aquela situação.
Aparências
não são fatos. É como o queijo na ratoeira. Deve-se buscar o equilíbrio sensato
entre a vontade de ganhar e o medo de perder.
A
boa consultoria é aquela que se paga pelo resultado do trabalho realizado. É tarefa
para profissionais. Cuidado com as críticas construtivas de quem nunca
construiu nada.
Bons
negócios e boa sorte.
Celso Cunha

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